domingo, 2 de janeiro de 2011

Riscos do Investimento do Tesouro Direto

O produto que se compra através do tesouro direto são os títulos públicos do governo federal que é considerado um dos investimentos de mais baixo risco do país, mas isto não significa que não possa perder dinheiro investindo no  Tesouro  Direto. 

   Alguns dos principais riscos que existem na compra de títulos públicos são os seguintes:




Risco de Crédito

       O risco de crédito representa a possibilidade de o governo dar um calote na dívida interna, ou seja , nos títulos públicos comprados através do Tesouro Direto. Na situação atual, apesar da dívida brasileira ser elevada , a possibilidade de calote da dívida é considerada pequena e o Tesouro Nacional vem tornando mais transparente e profissional o modo de gerenciar a dívida pública brasileira. Um calote causaria um sério abalo no sistema financeiro do país afetando, bancos,  fundos de previdência, todos os milhares de aplicadores do Tesouro Direto, todas pessoas que tem aplicações em fundos com parcela em renda fixa etc. e dificilmente algum governante teria coragem de assumir uma posição tão radical. O governo, antes de chegar ao extremo de um calote,  tem algumas alternativas como , imprimir mais dinheiro , apesar  que  isto possa gerar inflação,  ou tirar mais dinheiro da população cobrando mais impostos com finalidade de pagar a dívida pública.

      Outro fator além do calote simples seria quebra de contratos ou mudanças na legislação que afete os investidores em títulos públicos, por exemplo,  mudando índice de correção do títulos corrigidos pela inflação, alterar de forma abusiva a cobrança do imposto de renda etc.

      No site do Banco Central há um artigo , Dívida Pública e Prêmio de Risco dos Títulos Públicos
no Brasil, onde cita as várias ocasiões , pré-plano real, os sucessivos choques econômicos e quebras de contrato com investidores em títulos públicos e outros ativos financeiros. A situação hoje é outra, mas é sempre bom conhecer um pouco da história passada. Abaixo segue algumas passagens do artigo: 

"Entretanto, após a maxidesvalorização, o governo editou o Decreto-Lei 2.014/
83, que tributava em 45 % os rendimentos provenientes das ORTNs cambiais que
excedessem a correção monetária, frustrando, novamente, a expectativa de ganho das
instituições. Ainda em 1983, houve nova alteração no índice de correção monetária, que
passou a ser o IGP-DI, com reajuste trimestral e expurgo nos efeitos dos choques de
oferta."

"Em 1985, o critério de cálculo da correção monetária foi alterado três vezes." 

"O início de 1986 foi a edição do Plano Cruzado, que envolveu a extinção da correção monetária, o congelamento de preços e uma escala móvel para os salários. (Novamente, o critério de cálculo do índice oficial de inflação foi alterado várias vezes ao longo do ano, assim como a forma de tributação dos ativos no mercado financeiro.)"

"Em junho de 1987, foi lançado o terceiro plano econômico do governo Sarney,
o Plano Bresser, que promoveu novo congelamento de preços e aplicou um deflator sobre as operações financeiras."

"Plano Collor, em março de 1990, governo confiscou 80% dos haveres financeiros, que ficaram congelados no Banco Central, rendendo BTN mais 6% a.a. (aplicação compulsória nos recém-criados BTNEs)"


Risco Operacional

     O risco operacional diz respeito a possíveis  falhas ou fraudes no sistema das corretoras e CBLC na compra e venda de títulos públicos pela Internet. Alguns exemplos de riscos operacionais seria falhas no sistema da CBLC que impessa uma venda bem no dia que precise, possíveis fraudes que ocorram na transferência de recursos da conta do investidor para corretora que depois repassa o valor paro o Tesouro, greve de funcionários do tesouro paralisando o sistema,  alguma transferência indevida de títulos etc. Apesar de existir estes riscos, talvez sejam os menos importantes. A transferência  de  recursos  entre  a conta  do investidor e  corretoras são feitas geralmente via DOC/TED onde fica documentado a origem e destino do dinheiro, transferência de títulos para outra titularidade exigiria algum tipo de documentação  por  escrito  do  investidor, as corretoras normalmente só transferem o dinheiro para conta corrente do investidor sendo que fica difícil desviar o dinheiro que está na corretora para terceiros. 

Risco de Liquidez 

    Representa o riso de tentar vender um título antes do vencimento e no momento da venda não houver compradores interessados.  No caso do Tesouro Direto o governo recompra todas as quartas-feiras o títulos de quem quer vender antes do prazo,mas paga o preço de mercado, ou seja, se tiver que vender no meio de uma crise pode ter perdas ou rendimento abaixo do esperado. Estas recompras diminuem o risco de liquidez. O governo faz recompras de título de qualquer valor não havendo limites, somente as compras tem um limite de 400 mil por mês. Apesar de existir estas recompras , o governo não está obrigado a faze-las, pondedo paralizá-las se assim desejar , mas provavelmente esta seria uma medida extrema e provavelmente não seria por muito tempo. 

Risco de Mercado 

    Este  provavelmente  é  o maior  risco  que  corre  o aplicador  do  Tesouro  Direto.  Este  risco  refere-se a possibilibilidade de ter um retorno baixo ou mesmo perder parte de capital investido devida as variações de preços dos títulos até o vencimento. Em outro artigo será dado mais alguns detalhes sobre as variações de preços dos títulos, mas uma regra básica, para maioria dos títulos do Tesouro, é que o valor do título é inversamente proporcional á taxa de juros combinada no dia da compra, por exemplo, se comprou um título pré-fixado com taxa de juros de 12,5% aa e daqui um mês estiver sendo vendido  com taxa de 15% aa  provavelmente, se precisar vender o título, vai receber menos que pagou. Aguardando até o vencimento este risco diminui pois o governo garante o pagamento dos juros combinados na hora da compra, mas mesmo assim ainda sobra um outro risco  nos títulos pré-fixados e corrigidos pela SELIC, que é de existir algum surto inflacionário não previsto pelo mercado na hora da compra que possa corroer uma parte dos rendimentos,  títulos corrigidos pela inflação não apresentam este risco. Note que esta variação da taxa de juros pode funcionar em benefício do investidor se as taxas de juros caem, ou seja, se vender antes do vencimento tem um rendimento maior que o combinado no momento da compra, por exemplo, quem comprou uma LTN em fevereiro de 2006 vencendo em 2008 obteve uma taxa de juros da ordem de 15% ao ano no momento da compra , se vendesse o título em fevereiro de 2007 com a taxa de juros se aproximando  do 12%  ao ano teria um rendimento de uns 19% , ou seja , maior que os 15% de juros oferecidos no momento da compra. 

Risco de Reinvestimento 

    Títulos que pagam cupons de juros semestrais (NTN-B e NTN-F) aprensentam um outro risco denominado risco de reinvestimento. Para garantir o rendimento teórico do título na hora da compra deve-se reinvestir todos os cupons de juros no mesmo título comprado, mas se as taxas de juros caem, o rendimento dos cupons reinvestidos serão menores e consequentemente o rendimento final será menor que o esperado no momento da compra inicial do título. 

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