quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Fraude Títulos Públicos

O Tesouro Nacional tem recebido freqüentes consultas a respeito da possibilidade de resgate, troca, conversão (em NTN-A ou outros títulos), pagamento de dívidas tributárias ou operações diversas envolvendo apólices antigas (emitidas sob a forma cartular, ou seja, impressas), que perderam seu valor.

Alguns escritórios de advocacia têm gerado prejuízos para seus clientes, oferecendo a possibilidade de realização dessas operações, apresentando inclusive laudos periciais, com cálculos que atribuem aos títulos valores elevados.

Nenhuma dessas operações é legalmente possível.

Calculadora


http://www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro_direto/calculadora/calculadora.aspx

Bibliografia Indicada

Gostaria de indicar a bibliografia abaixo, que foi publicado  pelo meu colega Walmor Orsetti no seu blog: http://sejainvestidor.blogspot.com/.

http://www.betoveiga.com/log/index.php/2010/03/livro-tesouro-direto-e-book/

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Títulos falsos do Tesouro iludem investidores

País não emite certificado de dívida em papel há 30 anos, mas diariamente órgão da Fazenda recebe consulta sobre autenticidade


Faz mais de 30 anos que o governo brasileiro não emite títulos de dívida em papel, mas todos os dias o Tesouro Nacional recebe consultas, por telefone, e-mail ou pessoalmente, sobre a possibilidade de resgate de cautelas antigas ou troca por novos títulos do governo. “Esses títulos aparecem aqui todos os dias, geralmente comprados de terceiros”, afirma Antonio de Pádua Passos, coordenador-geral de controle da dívida pública do Tesouro Nacional, um departamento do Ministério da Fazenda.

Foto: Reprodução
Título falso recebido pelo Tesouro Nacional

Segundo Pádua, detentores desses papéis antigos os revendem para terceiros com a promessa de abatimento no Imposto de Renda a pagar, o que não é possível. Os últimos títulos cartulares (em papel) emitidos pelo governo foram as Letras do Tesouro Nacional (LTNs) com séries de várias cores, em 1972. Esses títulos tinham vencimento de 365 dias e o Tesouro esclarece que não houve repactuação de prazos. Após cinco anos, essas LTNs foram declaradas prescritas. Desde então, as emissões são todas escriturais, ou seja, com registro eletrônico.

Há portadores que procuram o Tesouro com títulos antigos, que foram emitidos pelo governo, mas já perderam a validade. Foram esquecidos em alguma gaveta ou no fundo do armário por algum antepassado. Esses casos, diz Pádua, são de pessoas honestas, que desconhecem o mecanismo dos papéis e entendem que perderam o valor. “Mas são apenas três ou quatro casos por ano”, conta.
A maioria dos que nos procuram, afirma o coordenador da dívida, apresentam títulos falsos. “Há uma leva de papéis falsos”, diz. “As pessoas pegam algum documento do Tesouro, fazem uma montagem com as assinaturas atuais tentando ‘esquentar’ o papel e repassam para terceiros”, acrescenta. Segundo Pádua o Tesouro tem os números de série de todos os títulos emitidos, portanto a verificação é rápida.

Papel nunca emitido
No passado, o Tesouro fazia as verificações da autenticidade dos títulos e emitia um documento atestando se eram verdadeiros ou falsos. Como as pessoas usavam as assinaturas para fraudar endossos, o órgão deixou de emitir comprovantes. “O Tesouro não responde por títulos que não emitiu. Aparecem cópias até com minha assinatura falsificada.” Pádua lembra-se de um advogado que procurou o departamento pedindo uma resposta sobre a autenticidade de um título, dizendo que ganhava R$ 1 mil para cada resposta do Tesouro. Há também títulos falsificados que nunca existiram. “O Certificado do Tesouro, que de vez em quando aparece por aqui, nunca foi usado como título de dívida.”

“O País está com credibilidade no mundo e, se alguém aceitar papéis falsos, isso pode afetar nosso nome”, explica ele. O executivo do Tesouro conta que o órgão foi procurado até pelo Royal Bank of Azerbaijão, informando que detinha títulos antigos de dívida brasileira, com endossos que os tornavam válidos. “Na semana passada, recebemos um funcionário da Embaixada da Itália no Brasil dizendo que há no seu país títulos antigos do Brasil sendo negociados”, conta.
Pádua diz que o Tesouro já encaminhou documentos ao Departamento de Repressão a Crimes Financeiros da Polícia federal para que tente identificar os envolvidos. "Pelo fato de que toda documentação que recebemos ser constituída por cópia, sem os documentos originais, há dificuldade, ou impossibilidade, de comprovar a falsidade de documentos, por exames periciais", ressalva ele. Procurada, a PF informou, por meio de sua assessoria de imprensa, desconhecer o fato de o Tesouro receber consultas sobre títulos falsos.

Fundo
De acordo com Antonio de Pádua Passos, o Tesouro tem um fundo constituído de R$ 800 mil para fazer frente aos resgates dos únicos títulos antigos que ainda valem. Eram papéis sem vencimento, emitidos na década de 1940 por ocasião de uma renegociação de dívidas da União, Estados e municípios, sob as leis dos Estados Unidos e do Reino Unido.
Ao longo de sua vigência, a maior parte dessa dívida foi resgatada. Os títulos em dólares foram todos chamados para resgate. A última chamada para cada um dos dois planos se deu, respectivamente, em 1968 e 1978. Restaram alguns emitidos em libras. “Esses são os únicos no mercado externo que ainda valem.” Para resgatá-los, o portador deve procurar um banco brasileiro ou com relações com o Brasil. Esses títulos são resgatados na moeda original, mas é pago apenas um percentual do valor de face, de acordo com sua série.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Aproveite a alta da Selic e ganhe no Tesouro Direto

Analistas e consultores recomendam aplicação em papéis atrelados à Selic e à variação da taxa de inflação

Olívia Alonso e Nelson Rocco, iG São Paulo | 20/01/2011

Os investidores que aplicam seus recursos em títulos do governo por meio do Tesouro Direto ou que pretendem fazê-lo podem tirar vantagem do aumento da taxa básica de juros, a Selic, promovido ontem pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central. No site do Tesouro Nacional há opções de papéis que pagam remuneração fixa, outros que remuneram o capital com a variação da taxa de inflação mais um percentual de juros e aqueles em que os ganhos só são conhecidos no futuro. Os analistas de investimentos são unânimes em recomendar as opções pós-fixadas ou as atreladas à inflação num cenário de taxas de juros em alta.
“Quando se fala em aumento das taxas de juros, o investidor deve ficar posicionado em títulos pós-fixado, as Letras Financeiras do Tesouro (LFT), afirma Antonio Carlos Conceição, consultor de investimentos da área de private do Banco Fator. Ontem, o Copom elevou a taxa básica da economia para 11,25% ao ano. “A expectativa é de outros aumentos ao longo no ano”, lembra Robson Queiroz, diretor operacional da corretora SLW. Em momentos assim, em que inflação e juros estão em alta, títulos do Tesouro e outras aplicações que acompanham essas duas variáveis são boas opções para que o investidor tenha bons retornos, avalia.
Foto: Fellipe Bryan Sampaio/iG
Sala onde analistas do Tesouro definem os preços dos títulos que ficam disponíveis na internet
Segundo Conceição, os títulos prefixados, ou seja, com taxa de remuneração estabelecida na aplicação, também são interessantes, mas o aplicador pode perder caso a taxa de juros básica da economia venha a subir e superar a que ele pactuou na hora de comprar o título.
“Os papéis atrelados à inflação têm mais riscos que os prefixados. Eles têm o risco do emissor (o governo), da inflação e dos juros. Mas acho que qualquer portfólio deve conter títulos atrelados à inflação”, explica Conceição. O que ele recomenda, desse tipo, é a Nota do Tesouro Nacional – série B (NTN-B) com vencimento em 2015. Segundo o consultor, esse papel rendeu 12,04% no ano passado, para uma taxa Selic em 10,75%. “Esse papel é mais volátil que outros”, ressalva. As Notas do Tesouro Nacional - série C (NTN-C), atreladas ao IGP-M, só são encontradas no mercado secundário, porque o governo deixou de emiti-las.

Bom negócio
Marcio Cardoso, diretor da corretora Título, afirma que os papéis associados à taxa de inflação podem se mostrar um bom negócio. “O mercado tem uma expectativa de inflação medida pelo IPCA para este ano em 5,42%. Se o investidor comprar um título com uma remuneração total de 10,30% mais ou menos, terá um bom ganho”, calcula.

Queiroz, da SLW, recomenda uma carteira composta por títulos pós-fixados atrelados ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), como as NTN-B, e à Selic, como as LFTs. Estas também são a recomendação de Ricardo Humberto Rocha, professor do Insper e do Laboratório de Finanças da Fundação Instituto de Administração (FIA).
Segundo o diretor da Título, o investidor deve, cada vez mais, se convencer que investimento é uma atividade de longo prazo. Nesse mesmo sentido, Conceição diz que o Fator não recompra aplicações com prazos inferiores a dois anos, por conta das alíquotas de Imposto de Renda cobradas.
Os ganhos obtidos em renda fixa são taxados pela Receita Federal. Em aplicações de até seis meses, a taxa é de 22,5% sobre o rendimento. De seis meses a um ano, cai para 20%. Para investimentos entre um e dois anos, a alíquota é de 17,5%. E para prazos superiores a dois anos, 15%. “Sempre miramos na menor alíquota de imposto.”

CDB
Uma opção semelhante, mas que pode ter custos mais elevados, é o CDB (Certificado de Depósito Bancário) indexado ao DI (Depósito Interbancário). Essa aplicação, assim como a LFT, acompanha o movimento dos juros.
Para os dois casos, Rocha sugere que o investidor fique de olho no comportamento da Selic nos próximos meses. “Caso os juros tenham subido muito até julho, pode valer a pena optar por outro tipo de título.” Queiroz acrescenta que é preciso também observar os sinais de inflação. “Caso a alta dos preços comece a desacelerar, as possibilidades de um aumento dos juros diminuem”.
É importante que o investidor fique atento às taxas que deve pagar para operar no Tesouro Direto. Ele deve fazer cadastro em um banco ou em uma corretora, que cobram um percentual anual sobre o principal. A Bolsa de Valores (BM&FBovespa) cobra 0,10% na aplicação e 0,10% no resgate. E o agente de custódia também fica com uma taxa, de 0,30%. De qualquer forma, os analistas avaliam que elas são mais baixas que as taxas de administração cobradas nos fundos de varejo.

Quadrilha falsificava Letras do Tesouro Nacional

Uma mulher, integrante do grupo, se fazia passar pela ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), corregedora nacional de Justiça

A Polícia Federal (PF) deflagrou na quarta-feira a Operação Grammata para reprimir crimes contra o sistema financeiro nacional e de falsidade documental, estelionato e lavagem de dinheiro por meio de compra e venda de Letras do Tesouro Nacional (LTNs). A PF cumpriu 33 mandados de busca e apreensão em seis estados (Espírito Santo, Goiás, Minas, Rio Grande do Sul, Rio e São Paulo) e no Distrito Federal. Uma mulher, integrante do grupo, se fazia passar pela ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), corregedora nacional de Justiça.

Segundo a PF, a organização criminosa captava recursos de terceiros para serem empregados nas transações com títulos da dívida pública, notadamente LTNs da década de 1970, em sua maioria falsificadas. Lotes de títulos eram utilizados como lastro financeiro em financiamentos internacionais e como ativos para inflar patrimônio de empresas.

Os fraudadores prometiam reembolsos variáveis de 10 a 20 vezes sobre o valor investido. A ordem para vasculhar endereços residenciais e comerciais dos alvos da PF foi dada pelo juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6.ª Vara Criminal Federal de São Paulo. Ele acolheu pedido do delegado Rodrigo Sanford, que comanda a Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros da PF em São Paulo. Não foi decretada prisão de suspeitos, mas essa medida poderá ser tomada a partir do resultado das buscas.

Os federais apreenderam títulos da Dívida Pública “com indícios de falsificação”. Também foram encontrados documentos de financiamentos realizados no exterior - as transações teriam sido fechadas com uso dos títulos. “Foi apreendida farta documentação sobre os crimes investigados e mídias que serão analisadas”, comunicou a Polícia Federal, em nota. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Expediente no dia 25 de janeiro

 
O expediente do Tesouro Direto será normal no dia 25 de janeiro de 2011, feriado municipal - aniversário da cidade de São Paulo.

Em função do feriado, os DOCs enviados no dia 24/01/2011 e as TEDs enviadas no dia 25/01/2011 que envolvam contas bancárias de agências localizadas na cidade de São Paulo somente serão compensados no dia 26/01/2011. Desta forma, os investidores não poderão contar com recursos transferidos por meio de DOCs ou TEDs feitos nas referidas datas para efetuar o pagamento das compras realizadas no dia 24/01/2011.